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O setor alimentício dispõe de mais dados sobre riscos do que nunca, mas há menos clareza

SÉRIE DE PERSPECTIVAS SOBRE SEGURANÇA ALIMENTAR - PARTE DOIS

Kimberly Carey Coffin Diretor Técnico de Garantia da Cadeia de Suprimentos no Setor de Alimentos e Bebidas View Profile

Se o primeiro desafio enfrentado pelo setor alimentício é o ritmo em que as condições de risco estão mudando, o segundo é compreender o que essas mudanças realmente nos dizem.

Como segunda parte da nossa série de análises sobre riscos à segurança alimentar, este artigo explora um segundo desafio que o setor alimentício enfrenta atualmente: dar sentido ao vasto e crescente volume de informações sobre riscos à disposição das organizações. Na primeira parte, examinamos como os riscos à segurança alimentar estão evoluindo mais rapidamente do que muitos sistemas foram originalmente projetados para gerenciar. Aqui, voltamos nossa atenção para a questão da interpretação – como as empresas podem ir além da simples coleta de dados de risco para compreender o que esses sinais realmente lhes dizem.

Atualmente, as empresas do setor alimentício estão cercadas por dados sobre riscos. Auditorias, avaliações de fornecedores, relatórios de não conformidade, reclamações sobre produtos e alertas regulatórios são sinais que indicam o nível de eficácia dos sistemas de segurança alimentar. Paralelamente, há um fluxo crescente de informações externas — desde desenvolvimentos geopolíticos até incidentes de contaminação, passando por relatórios sobre a prevalência de fraudes alimentares e notificações de recusas na fronteira ou recalls globais de produtos —, cada uma oferecendo uma nova perspectiva sobre as condições que moldam o abastecimento alimentar global.

Em teoria, as organizações estão rodeadas de informações sobre riscos.

No entanto, a clareza ainda pode parecer difícil de alcançar.

Parte do desafio reside na forma como essas informações são organizadas. Grande parte dos dados utilizados para monitorar os riscos à segurança alimentar encontra-se em sistemas ou relatórios distintos, cada um analisado no contexto de uma atividade específica. As conclusões das auditorias podem ser analisadas por meio de programas de certificação, o desempenho dos fornecedores por meio da supervisão das compras e os dados de recalls por meio de relatórios regulatórios. Cada elemento oferece uma perspectiva útil, mas raramente esses elementos se unem para formar uma visão completa do risco em todo o sistema alimentar, de ponta a ponta.

O resultado é um cenário em que as organizações podem ter visibilidade sobre questões individuais sem necessariamente compreender como essas questões se relacionam entre si ou aumentam o risco geral à segurança alimentar.

Isso não ocorre porque o setor alimentício carece de expertise em gestão de riscos – muito pelo contrário. Poucos setores possuem uma cultura tão profundamente enraizada de avaliação estruturada de riscos. Décadas de aplicação dos princípios do HACCP proporcionaram às empresas do setor alimentício uma estrutura clara para identificar perigos, avaliar riscos e estabelecer controles.

O que mudou foi a magnitude e a diversidade das informações que agora influenciam essas decisões.

Hoje, os sinais de risco surgem de várias fontes ao mesmo tempo. Alguns estão relacionados ao que poderia ser descrito como exposição ao risco: as condições externas que moldam o ambiente no qual os sistemas de segurança alimentar devem operar. Fenômenos climáticos significativos, incidentes de contaminação emergentes, notificações de inspeção nas fronteiras ou de recall e desenvolvimentos geopolíticos que perturbam as rotas de abastecimento estabelecidas contribuem para esse quadro, tanto em nível geográfico quanto em termos de categorias de produtos.

Outros refletem a forma como o risco está sendo gerenciado nas próprias operações da organização ou em sua rede de fornecimento. Conclusões de auditorias, não conformidades, avaliações de fornecedores, reclamações sobre produtos e dados operacionais se enquadram nessa categoria, oferecendo uma visão sobre o desempenho dos controles existentes na prática.

Ambas as perspectivas são importantes.

A clareza costuma começar a se perder quando essas duas perspectivas são analisadas separadamente, em vez de em conjunto. Sinais externos podem indicar que a exposição ao risco está aumentando em uma determinada região ou categoria de produtos, enquanto os dados internos de desempenho parecem estáveis. Por outro lado, indicadores operacionais podem sugerir pontos fracos emergentes, mesmo que o ambiente de risco mais amplo permaneça inalterado. Analisadas isoladamente, nenhuma das duas perspectivas oferece uma explicação completa.

No entanto, ao reunir essas informações, começa a surgir algo mais útil. Isso permite que as organizações identifiquem não apenas onde o risco está presente, mas também em que medida seus controles atuais estão preparados para gerenciá-lo. Padrões começam a surgir entre instalações, fornecedores e categorias de produtos. Sinais que antes pareciam isolados começam a se conectar.

Para as empresas do setor alimentício que operam em redes globais de abastecimento complexas, essa perspectiva mais ampla está se tornando cada vez mais valiosa. O risco se propaga pelas cadeias de abastecimento, pelos ambientes regulatórios e pelas categorias de produtos, não se limitando estritamente aos limites dos programas de auditoria.

Para compreender esse movimento, é preciso analisar os dados de risco de uma forma que reflita o sistema que eles descrevem – interconectados, em vez de fragmentados.

Isso não significa necessariamente que sejam necessários mais dados. Em muitos casos, o setor já dispõe de mais informações do que consegue interpretar com facilidade. O desafio consiste em organizar essas informações de forma a permitir que padrões significativos venham à tona.

No próximo artigo desta série, exploramos como essa mudança pode se concretizar na prática – e como as organizações podem começar a transformar o conhecimento sobre riscos em uma supervisão mais direcionada e eficaz em todas as suas redes de fornecimento.

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